sábado, 5 de janeiro de 2008

Minha Casa
Zeca Baleiro

É mais fácilCultuar os mortosQue os vivosMais fácil viverDe sombras que de sóisÉ mais fácilMimeografar o passadoQue imprimir o futuro...Não quero ser tristeComo o poeta que envelheceLendo MaiakóvskiNa loja de conveniênciaNão quero ser alegreComo o cão que sai a passearCom o seu dono alegreSob o sol de domingo...Nem quero ser estanqueComo quem constrói estradasE não andaQuero no escuroComo um cego tatearEstrelas distraídasQuero no escuroComo um cego tatearEstrelas distraídas...Amoras silvestresNo passeio públicoAmores secretosDebaixo dos guarda-chuvasTempestades que não paramPára-raios quem não temMesmo que não venha o tremNão posso pararTempestades que não paramPára-raios quem não temMesmo que não venha o tremNão posso parar...Veja o mundo passarComo passaUma escola de sambaQue atravessaPergunto onde estãoTeus tamborins?Pergunto onde estãoTeus tamborins?Sentado na portaDe minha casaA mesma e única casaA casa onde eu sempre moreiA casa onde eu sempre moreiA casa onde eu sempre morei...

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